Histórias›Dois metros de ar
Romance · New Adult · cerca de 12 capítulos

Dois metros de ar

„Todas as noites às onze, dois solitários encontram-se na varanda – e a cada isqueiro, a cada pergunta, a distância diminui.“

O teu papel: Interpretas uma mulher: Nele, 34. Depois da separação, só te resta a varanda. Todas as noites às onze, estás lá, com um cigarro na mão que não fumas. Do outro lado, a dois metros, está o Milan, o novo vizinho com o mesmo ritual. Entre vocês cresce uma proximidade silenciosa feita de pequenos gestos, perguntas que têm tempo, e um riso que soa a uma semana melhor.

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Dois metros de ar
O que te espera

Três coisas que marcam esta história

  • Rituais noturnos na varanda
  • O isqueiro como prova de amor
  • Cura depois da separação
É assim que começa

Excerto: Dois metros de ar

Capítulo 1 de «Dois metros de ar», tal como uma leitora o abre pela primeira vez. Depois é a vez dela.

Dois metros de arCapítulo 1

Às onze horas a varanda é minha. É tudo o que resta do apartamento desde que as caixas desapareceram, as dele e as minhas, que ele levou porque eram dele. Estou encostada ao gradeamento com um cigarro que não acendo. Deixei de fumar há três anos. Não deixei de o segurar.

Do outro lado acende-se uma luz. Dois metros em linha reta, varanda com varanda, separadas por uma calha e pela cortesia de uma grande cidade. O novo vizinho. Ele sai, também às onze, também com um cigarro, e também não o acende.

Não nos olhamos. Esse é o acordo que se faz sem falar. Ele olha para a rua, eu olho para a rua, e lá em baixo passa o elétrico, e alguém se ri noutro apartamento.

— Fogo? — pergunta ele na escuridão. É a primeira pergunta numa semana de varanda às onze. — Não fumo — digo eu. — Eu também não. — Mesmo assim, ele levanta um isqueiro, uma coisa amarela de plástico, como se fosse um argumento. — Só queria saber se falas.

— Milan — diz ele. — Nele. — Não acontece mais nada. Ele guarda o isqueiro. Ficamos outra vez parados, mas é um silêncio diferente dos das últimas noites, um silêncio em que alguém ouve.

— Semana difícil? — pergunta ele passado um tempo. — Ano difícil. — Percebo. — Ele não diz como é que percebe. Não diz porque é que um homem vai para a varanda às onze com um cigarro que não fuma. Deixa a pergunta pendurada como o isqueiro, para mais tarde.

Às onze e um quarto ele entra. À porta, para. — Amanhã outra vez? — Parece que não é um convite, mas sim uma hora. Não respondo. Deixo o cigarro frio no gradeamento, onde fica até amanhã.

Amanhã, às onze. Estás lá?
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Todas as noites às onze, dois solitários encontram-se na varanda – e a cada isqueiro, a cada pergunta, a distância diminui.

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